BMW cogita retorno de elétricos com extensor de autonomia
Pioneira com o i3 REx, montadora alemã admite que pode desenvolver novos modelos com motor a gasolina como gerador, mas impõe condição: o carro precisa dirigir como um BMW.
A BMW, uma das primeiras fabricantes a apostar em veículos elétricos com extensor de autonomia (EREVs) com o icônico i3 REx, está reavaliando a tecnologia. Em uma conversa recente, o chefe de produto da marca, Bernd Körber, admitiu que a empresa está tecnicamente preparada para desenvolver um novo modelo do tipo, mas ainda não tomou uma decisão sobre a real necessidade de fazê-lo.
Table Of Content
- O legado pioneiro do BMW i3 REx
- Por que falar em extensores de autonomia em 2024?
- O dilema da BMW: Identidade acima de tudo
- O que sabemos
- Perguntas frequentes
- A BMW vai lançar um novo carro com extensor de autonomia?
- O que era o BMW i3 REx?
- Por que a BMW parou de vender o i3 REx?
- Outras marcas estão investindo em extensores de autonomia?
Essa postura representa uma fascinante encruzilhada para a gigante de Munique. Ao mesmo tempo em que desenvolve elétricos de altíssima autonomia, ela observa um movimento de mercado que pode justificar o retorno de um pequeno motor a combustão como uma rede de segurança para os motoristas.
O legado pioneiro do BMW i3 REx
Para entender a posição atual da BMW, é preciso voltar no tempo. Lançado há mais de uma década, o BMW i3 foi um projeto revolucionário. Em 2014, quando a infraestrutura de recarga era uma fração do que é hoje, a ansiedade de autonomia era o principal obstáculo para a adoção de carros elétricos.

A solução da BMW foi engenhosa: a versão REx (Range Extender). O carro tinha uma autonomia puramente elétrica de cerca de 130 km. Quando a bateria atingia um nível crítico, um pequeno motor de motocicleta de dois cilindros, montado sob o porta-malas e alimentado por um tanque de combustível minúsculo, entrava em ação. Ele não movia as rodas diretamente, mas funcionava como um gerador para recarregar a bateria, adicionando cerca de 145 km ao alcance total.
A tecnologia foi um marco, oferecendo uma transição suave para motoristas que queriam um elétrico, mas temiam ficar parados na estrada. Contudo, a evolução foi implacável. Em 2018, a BMW abandonou a variante REx. A capacidade da bateria do i3 foi aumentada para 42,2 kWh, elevando sua autonomia WLTP para 310 km e tornando o gerador a combustão, aos olhos da empresa, obsoleto.
Por que falar em extensores de autonomia em 2024?
O cenário tecnológico é completamente diferente hoje. Os mais novos veículos elétricos da BMW prometem autonomias superiores a 800 km no ciclo WLTP e capacidades de carregamento ultrarrápido de até 400 quilowatts. Então, por que a ideia de um REx voltou à pauta?
A resposta está no mercado. Enquanto a BMW focava em baterias maiores, outras montadoras viram uma oportunidade nos EREVs. Empresas como Scout, Ram, Jeep e até a Hyundai planejam lançar modelos com essa configuração no futuro próximo. O Mazda MX-30 já utilizou um motor rotativo Wankel como gerador, e o sistema e-Power da Nissan opera com um princípio semelhante de motor a combustão gerando eletricidade.
Essa abordagem oferece uma tranquilidade psicológica importante, especialmente em regiões onde a cobertura de carregadores rápidos ainda é irregular. Para muitos consumidores, saber que existe um plano B a gasolina a bordo elimina a principal barreira para a compra de um elétrico.
O dilema da BMW: Identidade acima de tudo
Para a BMW, a questão não é técnica. Bernd Körber foi claro ao afirmar que derivar um REx de um EV existente é um desafio relativamente simples. A verdadeira barreira é filosófica e ligada à identidade da marca.
“A questão seriam as características do REx, porque temos certos pré-requisitos quando se trata de como um BMW dirige. Teríamos que analisar o trem de força que podemos ajustar para ser algo em que possamos colocar nossa marca — esse seria nosso requisito.”
Em outras palavras, qualquer sistema com extensor de autonomia teria que proporcionar a resposta imediata, o silêncio e a suavidade esperados de um elétrico premium, sem as vibrações ou o ruído indesejado de um motor a combustão atuando em segundo plano. O carro precisa, antes de tudo, sentir-se como um BMW.
A especulação sobre o retorno da tecnologia ganhou força em novembro, quando a agência Bloomberg noticiou que a BMW considerava versões REx dos modelos X5 e Série 7 para o mercado chinês. Em resposta, a empresa emitiu uma declaração afirmando que está “analisando continuamente os padrões de uso, as necessidades dos clientes e os desenvolvimentos do mercado”.
Körber reforçou essa posição cautelosa:
“Em teoria, somos capazes de fazer um REx se quisermos. Por natureza, ser aberto à tecnologia significa que estamos analisando esses tópicos, mas nenhuma decisão foi tomada.”
A BMW mantém as cartas na manga. A empresa provou ser capaz de liderar com essa tecnologia no passado e parece pronta para fazê-lo novamente se o mercado exigir. A diferença é que, desta vez, a solução não pode ser apenas funcional; ela precisa ser digna do emblema azul e branco na dianteira.
O que sabemos
- A BMW foi pioneira em elétricos com extensor de autonomia (EREVs) com o modelo i3 REx.
- A fabricante alemã está aberta a desenvolver um novo veículo com essa tecnologia.
- Nenhuma decisão final sobre a produção de um novo REx foi tomada.
- O avanço da autonomia e da velocidade de recarga dos EVs modernos diminui a necessidade de extensores.
- Outras marcas, como Scout, Ram e Jeep, estão investindo em EREVs para o futuro próximo.
- Para a BMW, o maior desafio é garantir que um REx mantenha as características de condução da marca.
A posição da BMW é de uma observação estratégica. Com a tecnologia dominada e pronta para ser implementada, a empresa aguarda um sinal claro do mercado. O ressurgimento do interesse pelos EREVs por parte dos concorrentes mostra que a transição para a eletrificação total pode exigir soluções intermediárias inteligentes. A BMW tem uma solução no seu arsenal histórico; resta saber se e quando decidirá usá-la novamente.
Perguntas frequentes
A BMW vai lançar um novo carro com extensor de autonomia?
A BMW confirmou que está considerando a tecnologia e tem capacidade para desenvolvê-la, mas ainda não tomou uma decisão final sobre o lançamento de um novo modelo.
O que era o BMW i3 REx?
Era uma versão do hatch elétrico BMW i3 que possuía um pequeno motor a gasolina de dois cilindros. Esse motor funcionava exclusivamente como um gerador para recarregar a bateria, aumentando a autonomia total do veículo.
Por que a BMW parou de vender o i3 REx?
A empresa descontinuou a versão REx em 2018, após aumentar a capacidade da bateria do i3. Com maior autonomia puramente elétrica, a BMW considerou que o extensor de autonomia se tornou menos necessário.
Outras marcas estão investindo em extensores de autonomia?
Sim. Marcas como Scout, Ram, Jeep e Hyundai anunciaram planos para lançar veículos com essa tecnologia. Outros sistemas, como o e-Power da Nissan, operam com um princípio semelhante.
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