Sparton: A Lenda das Motos de Corrida dos Anos 70
Em uma capela convertida no País de Gales, a Sparton nasceu da união de Barton Engineering e Spondon, criando algumas das motos de corrida mais potentes e rápidas da década de 1970.
A década de 1970 foi um período efervescente para o motociclismo de corrida, e no coração do Norte do País de Gales, uma história de engenhosidade e paixão por velocidade ganhava forma. Em uma capela convertida, nasceu a Sparton, uma colaboração singular entre a Barton Engineering e a Spondon Engineering, destinada a construir as motocicletas de corrida mais potentes de sua época. Essa saga, recontada por Mark Lancaster, mergulha na essência da inovação britânica, marcada por motores de dois tempos de alto desempenho e vitórias memoráveis.
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Nasce uma Colaboração Inovadora
A gênese da Sparton remonta ao trabalho de Barry Hart, um talentoso construtor de motores de dois tempos de corrida. Em 1974, Hart uniu forças com a Spondon Engineering, e juntos, eles ambicionavam criar uma moto de corrida sem precedentes. Essa parceria inicial resultou na construção de uma máquina equipada com um motor square-four de 500cc, cujo projeto se baseava no renomado Suzuki RG500.
Paralelamente, a Barton Engineering, que viria a ser parte fundamental da Sparton, já demonstrava sua capacidade técnica. Rex White, da Suzuki Great Britain, havia solicitado à Barton o desenvolvimento de um motor Suzuki de 350cc especificamente para o piloto Barry Sheene. A Barton transformou um motor Suzuki GT380 em uma unidade refrigerada a água, mantendo o virabrequim e os cárteres originais. O projeto culminou em uma máquina extremamente rápida, mas sua continuidade foi abruptamente interrompida. A história oficial aponta que a Suzuki Japão, ao descobrir a iniciativa, encerrou o projeto.

Potência e Sucesso nas Pistas
Mesmo após o fim do projeto Suzuki, a Barton continuou a aprimorar seus motores. A empresa trabalhou intensamente em um motor de três cilindros, conseguindo torná-lo significativamente mais leve. Posteriormente, para focar na construção de um motor de 500cc, a Barton vendeu o projeto do tricilíndrico.
A primeira iteração do motor de 500cc da Sparton tinha um deslocamento de 458cc. Com o tempo, esse motor evoluiu para uma versão de 525cc, utilizando pistões Yamaha e entregando impressionantes 100 cv de potência. O desempenho dessas máquinas era notável: no lendário Isle of Man de 1975, uma Sparton 500 pilotada por Martin Sharpe alcançou a incrível marca de 146 mph (cerca de 235 km/h).
O sucesso da Sparton nas corridas foi consolidado em 1976, quando seus modelos conquistaram as duas primeiras posições no North West 200, com Martin Sharpe e Frank Kennedy ao guidão, respectivamente. Uma versão ainda mais potente, com 497cc, era supostamente capaz de atingir 160 mph (aproximadamente 257 km/h), um feito notável para a época. A Sparton construiu diversas máquinas para pilotos privados, e em 1977, Graham Wood obteve doze vitórias a bordo de sua Sparton, provando a competitividade e confiabilidade dos equipamentos.
O Projeto Phoenix e o Fim de uma Era
Buscando ir além, a Sparton lançou um motor square-four de 750cc, batizado de Phoenix. A empresa expressava a intenção de vender esses motores a pilotos que estivessem dispostos a colaborar no desenvolvimento e solução de eventuais problemas:
“estão preparados para trabalhar conosco para resolver quaisquer problemas que possam ocorrer”
Apesar da ambição, apenas um punhado de motores Phoenix foi fabricado, indicando os desafios inerentes à produção de alta performance em pequena escala. Infelizmente, a jornada da empresa Sparton chegou ao fim em 1982.
Apesar do encerramento da Sparton, o legado da Barton Engineering continuou. A empresa foi posteriormente vendida para a Armstrong e, mais tarde, adquirida por Erik Buell, uma figura icônica no mundo das motocicletas esportivas. Curiosamente, a Barton também teve uma participação no cinema, construindo três máquinas para o filme ‘Silver Dream Racer’, embora apenas duas delas tenham sido efetivamente utilizadas em cena por David Essex.
O que sabemos
- A Sparton foi uma colaboração entre Barton Engineering e Spondon Engineering.
- Na década de 1970, a Sparton construiu motos de corrida potentes em uma capela no Norte do País de Gales.
- Barry Hart construía motores de dois tempos de corrida e uniu-se à Spondon em 1974 para criar uma moto de corrida.
- A parceria inicial construiu uma máquina com um motor square-four de 500cc baseado no Suzuki RG500.
- A Barton Engineering transformou um Suzuki GT380 em um motor de 350cc refrigerado a água para Barry Sheene, mas o projeto foi encerrado pela Suzuki Japão.
- Barton trabalhou em um motor de três cilindros mais leve e depois focou em um de 500cc.
- A primeira versão do motor de 500cc tinha 458cc, evoluindo para 525cc com pistões Yamaha e 100 cv.
- Em 1975, uma Sparton 500 pilotada por Martin Sharpe atingiu 146 mph no Isle of Man.
- Em 1976, Spartons conquistaram as duas primeiras posições no North West 200, com Martin Sharpe e Frank Kennedy.
- Uma versão de 497cc do motor era capaz de atingir 160 mph.
- A Sparton construiu máquinas para pilotos privados, e Graham Wood obteve doze vitórias em 1977 com sua Sparton.
- Um motor square-four de 750cc, chamado Phoenix, foi lançado, com a Sparton buscando colaboração dos pilotos.
- Apenas um punhado de motores Phoenix foi fabricado.
- A empresa Sparton encerrou suas atividades em 1982.
- A Barton foi vendida para Armstrong e depois para Erik Buell.
- A Barton fez três máquinas para o filme ‘Silver Dream Racer’, mas apenas duas foram usadas na tela por David Essex.
A história da Sparton é um testemunho da paixão e da engenhosidade que podem surgir em pequenos workshops, desafiando gigantes da indústria. Embora a empresa tenha tido uma vida relativamente curta, seu impacto no cenário das corridas de motocicleta da década de 1970 foi inegável. A capacidade de extrair tamanha potência de motores de dois tempos, aliada à resiliência para superar obstáculos e à vontade de inovar, solidifica a Sparton como uma lenda. Seu legado continua a inspirar entusiastas e engenheiros, lembrando que a velocidade e a glória muitas vezes nascem da dedicação de poucos, em locais inesperados.
Perguntas frequentes
O que foi a Sparton?
A Sparton foi uma empresa britânica, resultado da colaboração entre Barton Engineering e Spondon Engineering, que construiu motocicletas de corrida de alto desempenho na década de 1970, notadamente em uma capela convertida no País de Gales.
Qual era a moto mais potente da Sparton?
A Sparton desenvolveu motores de 525cc que produziam 100 cv, além de uma versão de 497cc que supostamente atingia 160 mph (257 km/h), e o motor square-four Phoenix de 750cc.
Quem foram os principais pilotos da Sparton?
Pilotos como Martin Sharpe, Frank Kennedy e Graham Wood foram figuras importantes que pilotaram as motos Sparton, conquistando vitórias significativas em corridas como o Isle of Man e o North West 200.
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