Toyota se Une a Daimler e Volvo em Aliança de Hidrogênio
A maior montadora do mundo entra na joint venture cellcentric, focada em células de combustível para veículos pesados, sinalizando uma aposta consolidada na tecnologia.
Em um movimento estratégico que reverbera por toda a indústria automotiva, a Toyota, maior fabricante de veículos do mundo, anunciou que vai se juntar à cellcentric. Trata-se da joint venture formada em 2021 pelos gigantes europeus Daimler Truck e Volvo Group, com um objetivo claro: desenvolver e produzir sistemas de célula de combustível a hidrogênio para o transporte pesado.
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A entrada da gigante japonesa, embora ainda dependa de aprovações regulatórias, cria um triunvirato de poderio industrial e tecnológico. A união visa acelerar a adoção do hidrogênio como uma solução viável para descarbonizar caminhões de longa distância, ônibus e maquinário fora de estrada, um dos maiores desafios da transição energética.
Uma Aliança para Criar Massa Crítica
A cellcentric foi estabelecida como uma parceria de partes iguais entre Daimler e Volvo, e a entrada da Toyota promete fortalecer ainda mais sua posição. O foco da empresa permanecerá inalterado: ser o epicentro da tecnologia de célula de combustível para aplicações comerciais e pesadas.
Andreas Gorbach, membro do conselho da Daimler Truck, celebrou a notícia com entusiasmo. Em suas palavras, a parceria é um divisor de águas.
“Unir forças com a maior fabricante de automóveis do mundo e pioneira em células de combustível é um privilégio para nós — e um fator decisivo para tornar o hidrogênio no transporte uma realidade e a cellcentric o lugar ideal para a tecnologia de células de combustível em veículos comerciais em todo o mundo.”
Martin Lundstedt, CEO do Volvo Group, complementou, afirmando que a chegada da Toyota ajudará a “acelerar e criar massa crítica para as aplicações de hidrogênio”. A lógica é simples: com três dos maiores nomes da indústria alinhados, a capacidade de ditar padrões, reduzir custos de escala e pressionar pela criação de infraestrutura de abastecimento aumenta exponencialmente.
A Longa Jornada da Toyota com o Hidrogênio
A aposta da Toyota no hidrogênio não é recente. A empresa acumula mais de três décadas de pesquisa e desenvolvimento na área. Seu esforço mais conhecido pelo público é o sedã Mirai, lançado em dezembro de 2014 como o primeiro carro de passageiros com célula de combustível produzido em massa.
Apesar do pioneirismo, o Mirai nunca foi um sucesso de vendas, acumulando apenas 28.000 unidades comercializadas globalmente. O resultado, contudo, não desanimou a fabricante, que em 2023 lançou uma versão FCEV (Fuel Cell Electric Vehicle) do seu tradicional sedã Crown no Japão.
Desde 2019, a Toyota expandiu sua atuação para além dos automóveis. A empresa começou a fornecer seus sistemas de célula de combustível para terceiros, equipando ônibus, caminhões, trens e até geradores de energia estacionários. Até 2025, mais de 2.700 sistemas foram entregues a mais de 100 clientes, e a própria Toyota já opera caminhões a hidrogênio em sua logística interna no Japão e na Europa.
O ápice tecnológico dessa jornada foi o anúncio, em 2025, de seu sistema de célula de combustível de terceira geração. Projetado especificamente para veículos comerciais, ele promete reduzir os custos pela metade, aumentar a eficiência em 20% e ampliar a autonomia dos veículos, atacando diretamente os principais gargalos da tecnologia.
Um Mercado de Contradições e Oportunidades
A consolidação em torno da cellcentric ocorre em um momento peculiar para o hidrogênio. Enquanto o trio Toyota-Daimler-Volvo aprofunda sua aposta, outros players importantes decidiram abandonar o barco. O ano de 2025 foi marcado por uma série de recuos estratégicos.
Em fevereiro, a Hyvia, joint venture entre Renault e Plug Power, foi liquidada. Em julho, a Stellantis confirmou o fim de seu programa de vans a célula de combustível. E em outubro, a General Motors anunciou a descontinuação do desenvolvimento sob a marca Hydrotec. Os motivos foram os mesmos: custos elevados e a falta de uma rede de abastecimento robusta.
Um relatório da S&P de outubro de 2025, intitulado ‘Veículos movidos a hidrogênio enfrentam uma estrada difícil pela frente’, capturou o ceticismo do mercado. No entanto, a perspectiva para o segmento de pesados é notavelmente mais otimista.
Uma análise da MarketsandMarkets projeta que o mercado global de caminhões a hidrogênio deve saltar de US$ 1,93 bilhão em 2024 para US$ 10,79 bilhões até 2035. A razão é que, para veículos que rodam centenas de quilômetros por dia e precisam de reabastecimento rápido, o hidrogênio apresenta vantagens claras sobre as baterias elétricas, como maior autonomia e menor peso.
A estratégia da Toyota, que inclui o desenvolvimento de equipamentos de eletrólise para produção de hidrogênio, mostra uma visão de ecossistema completo. A empresa entende que não basta fabricar o veículo; é preciso viabilizar toda a cadeia de suprimento do combustível.
O que sabemos
- A Toyota vai se juntar à joint venture cellcentric, da Daimler Truck e Volvo Group.
- O foco da cellcentric é o desenvolvimento e produção de sistemas de célula de combustível para veículos pesados.
- A Toyota pesquisa a tecnologia de hidrogênio há mais de 30 anos e lançou o Mirai em 2014.
- A empresa já fornece seus sistemas para mais de 100 clientes em diversas aplicações comerciais.
- O sistema de 3ª geração da Toyota promete custos 50% menores e 20% mais eficiência.
- O acordo ainda não é vinculativo e precisa de aprovação regulatória.
- Outras montadoras como Stellantis e GM abandonaram seus programas de hidrogênio em 2025.
- O mercado de caminhões a hidrogênio tem uma projeção de crescimento expressivo até 2035.
A entrada da Toyota na cellcentric é um sinal claro de que, enquanto o hidrogênio pode ter perdido espaço na discussão sobre carros de passeio, a batalha pelo futuro do transporte pesado está mais acesa do que nunca. A união desses três titãs não apenas valida a tecnologia de célula de combustível para caminhões, mas também cria uma força industrial capaz de superar as barreiras de custo e infraestrutura que fizeram outros desistirem. É a aposta mais forte até agora de que as longas rodovias do futuro serão silenciosas, limpas e movidas a hidrogênio.
Perguntas frequentes
Por que a Toyota está se juntando à cellcentric?
A Toyota se une à Daimler Truck e ao Volvo Group para acelerar o desenvolvimento e a produção em massa de sistemas de célula de combustível, buscando criar um padrão de mercado e reduzir custos para veículos comerciais pesados.
O que é a cellcentric?
A cellcentric é uma joint venture (empreendimento conjunto) criada em 2021 pela Daimler Truck e pelo Volvo Group, focada exclusivamente no desenvolvimento e fabricação de tecnologia de célula de combustível a hidrogênio para caminhões e outras aplicações pesadas.
Outras montadoras estão desistindo do hidrogênio?
Sim. Em 2025, empresas como Stellantis, General Motors e a joint venture Hyvia (Renault/Plug Power) anunciaram a descontinuação de seus programas de desenvolvimento de veículos a célula de combustível, citando altos custos e falta de infraestrutura.
Fonte: Automotive World (automotiveworld.com)
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