Saab 93 Monstret: A máquina bimotor de 138 cv que ninguém domou
Nos anos 50, a Saab uniu dois motores em um só carro, criando uma máquina de corrida leve e potente, mas tão perigosa que seu projeto foi abandonado.
A história da Saab é repleta de soluções de engenharia peculiares e uma teimosia em fazer as coisas de maneira diferente. Nenhum projeto talvez exemplifique melhor essa filosofia do que o Saab 93 “Monstret”, um protótipo de corrida do final dos anos 1950 que, em sueco, significa literalmente “O Monstro”. E o apelido não poderia ser mais apropriado.
Table Of Content
- A receita do monstro: Dois motores em um
- Dieta extrema para desempenho máximo
- Indomável: Potência bruta e falhas críticas
- O fim do projeto e o legado de uma loucura genial
- Ficha técnica – Saab 93 “Monstret” (1959)
- O que sabemos
- Perguntas frequentes
- O que era o Saab 93 Monstret?
- Qual a potência do Saab Monstret?
- Por que o projeto do Saab Monstret foi cancelado?
Nascido da necessidade de mais potência para as competições, os engenheiros da Saab olharam para o modesto cupê 93, lançado em 1955, e decidiram aplicar uma lógica radical. Em vez de desenvolver um motor inteiramente novo, eles optaram por uma solução que beirava a insanidade mecânica: unir dois motores existentes.
A receita do monstro: Dois motores em um
O ponto de partida foi o motor de três cilindros e dois tempos de 748 cc que equipava os carros de produção da marca. A equipe de engenharia literalmente acoplou duas dessas unidades, criando um trem de força inédito: um motor de seis cilindros em linha, com 1.5 litro de deslocamento, ainda operando no ciclo de dois tempos.
O resultado foi uma usina de força que entregava impressionantes 138 cavalos. Para a época, era uma potência descomunal, especialmente para um carro de tração dianteira. A complexidade não parou por aí. Para acomodar o motor duplicado, o radiador precisou ser movido para a parte traseira do cofre, posicionado em frente à parede corta-fogo, uma solução de arrefecimento totalmente fora do padrão.

Dieta extrema para desempenho máximo
Potência sem controle de peso é ineficiente. Cientes disso, os engenheiros submeteram o 93 a uma dieta rigorosa. Os painéis de aço da carroceria foram metodicamente substituídos por componentes mais leves, fabricados em alumínio e fibra de vidro.
O interior foi completamente depenado. Todo e qualquer item de conforto ou acabamento que não fosse estritamente necessário para a pilotagem foi removido. O resultado foi um carro de corrida puro, pesando pouco menos de 680 kg. A relação peso-potência era simplesmente fantástica para os padrões da década de 1950.

Indomável: Potência bruta e falhas críticas
Nos testes realizados na pista do aeroporto de Såtenäs, o Monstret mostrou seu potencial. O carro atingiu uma velocidade máxima de 196 km/h, um número impressionante que o colocava no território de esportivos bem mais caros e sofisticados.
Contudo, a genialidade da concepção esbarrou em problemas práticos intransponíveis. O principal deles era um esterçamento por torque (torque steer) violento. A imensa força enviada para as rodas dianteiras de um chassi tão leve fazia o carro puxar bruscamente para os lados sob aceleração, tornando-o quase impossível de ser mantido em linha reta.
Além disso, o conjunto mecânico era seu próprio calcanhar de Aquiles. A caixa de câmbio, uma unidade de três velocidades fortemente modificada, simplesmente não foi projetada para suportar a avalanche de potência do motor duplo e quebrava constantemente. O veredito foi unânime: o carro era perigoso demais para competir, mesmo nas mãos de pilotos lendários como Erik Carlsson, que dominava os ralis da época com os Saabs convencionais.

O fim do projeto e o legado de uma loucura genial
Diante dos obstáculos de engenharia e dos riscos evidentes, a Saab cancelou o projeto do Monstret. A busca por mais desempenho tomaria um rumo muito mais pragmático em meados dos anos 1960, quando a empresa adotou o robusto e confiável motor V4 de origem Ford para equipar o sucessor Saab 96.
O Monstret, no entanto, não foi esquecido. O protótipo único sobreviveu e hoje ocupa um lugar de honra no Museu do Carro Saab em Trollhättan, na Suécia. Ele permanece como um testemunho físico da criatividade sem limites e da ousadia que definiram a marca, um monstro que, embora nunca tenha sido domado, continua a fascinar entusiastas da engenharia automotiva em todo o mundo.
Ficha técnica – Saab 93 “Monstret” (1959)
- Motor: Seis cilindros em linha, dois tempos (junção de dois motores de 3 cilindros e 748 cc)
- Deslocamento: 1.496 cc (1.5 litro)
- Potência: Aproximadamente 138 cv
- Câmbio: Manual de 3 velocidades (modificado)
- Tração: Dianteira
- Peso: Aprox. 680 kg
- Velocidade máxima: 196 km/h (registrada em testes)
- Carroceria: Coupé de dois lugares com painéis de alumínio e fibra de vidro
O que sabemos
- O projeto “Monstret” foi um experimento da Saab nos anos 1950.
- Utilizava dois motores de 3 cilindros e 748 cc unidos, criando um 6 cilindros de 1.5 litro.
- Produzia cerca de 138 cv e pesava apenas 680 kg.
- Atingiu 196 km/h em testes, mas sofria com esterçamento por torque severo.
- O câmbio de 3 marchas não suportava a potência do motor.
- O projeto foi cancelado por ser considerado perigoso e mecanicamente inviável.
- O único protótipo está exposto no Museu do Carro Saab em Tröllhattan.
Perguntas frequentes
O que era o Saab 93 Monstret?
O Saab 93 “Monstret” foi um protótipo de corrida único, criado pela Saab no final dos anos 1950, que utilizava dois motores de três cilindros unidos para formar um motor de seis cilindros.
Qual a potência do Saab Monstret?
O carro produzia aproximadamente 138 cavalos de potência a partir de seu motor de 1.5 litro e dois tempos, um número muito elevado para seu peso de apenas 680 kg.
Por que o projeto do Saab Monstret foi cancelado?
O projeto foi cancelado devido a problemas de engenharia insolúveis, como a fragilidade do câmbio e um severo esterçamento por torque que o tornava perigoso e incontrolável para corridas.
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