Maserati em Crise: Vendas caem 58% e Marca busca Reinvenção sob a Stellantis
A icônica fabricante italiana viu suas entregas despencarem nos últimos dois anos, forçando uma reavaliação completa de sua estratégia de mercado e portfólio de produtos.
A Maserati, símbolo de luxo e performance italiana, enfrenta um período desafiador. A marca registrou uma queda vertiginosa de 58% nas vendas em apenas dois anos, entregando apenas 11.127 veículos no último ano (2025). Este número contrasta drasticamente com o pico de aproximadamente 49.000 unidades alcançado em 2017 e a performance de 2023, que superava as 26 mil unidades.
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A situação acendeu um alerta na Stellantis, o conglomerado que detém a marca. A viabilidade de longo prazo de todas as 14 marcas do grupo está sob análise, e a Maserati, com sua rica história e prestígio, exige atenção especial para não se perder em um mercado cada vez mais competitivo e globalizado.
Fatores por Trás da Retração
Diversos elementos contribuíram para a acentuada queda nas vendas da montadora. As tarifas nos Estados Unidos impactaram negativamente o volume de exportações e a competitividade dos veículos. Além disso, a demanda fraca na China, um mercado crucial para o segmento de luxo, foi outro fator determinante, refletindo um apetite reduzido por produtos de luxo de fabricantes ocidentais.
A demanda pelo SUV Grecale, que deveria impulsionar as vendas, também ficou abaixo do esperado. Este cenário foi agravado pela concorrência crescente de fabricantes chineses, que oferecem veículos sofisticados a preços mais acessíveis, pressionando ainda mais o segmento de luxo.
Revisão Profunda no Portfólio e Engenharia
A Maserati passou por uma reestruturação significativa em sua linha de produtos. Os sedãs Ghibli e Quattroporte foram descontinuados em 2023, marcando o fim de modelos importantes para a identidade da marca. Em 2024, foi a vez do crossover Levante deixar de ser produzido, esvaziando ainda mais o portfólio.
Houve também uma mudança notável na estratégia de motorização. A Ferrari, parceira de longa data, parou de fornecer motores V8 há alguns anos, forçando a Maserati a buscar alternativas. A marca chegou a vender carros com motores de quatro cilindros, mas subsequentemente substituiu o motor de 2.0 litros por uma versão menos potente de seu motor V6 Nettuno de 3.0 litros, uma decisão que gerou debates entre entusiastas.
No segmento de eletrificação, a Maserati cancelou o projeto do MC20 elétrico, indicando uma reavaliação de seus investimentos em veículos totalmente elétricos ou uma priorização de outras frentes.

O Diagnóstico de Carlos Tavares: Um Problema de Marketing
O CEO da Stellantis, Carlos Tavares, foi enfático ao apontar a raiz do problema da Maserati. Segundo ele, a queda não se deve à qualidade dos produtos, mas sim a um marketing deficiente e a um posicionamento de marca ambíguo.
Maserati está no vermelho. A razão é marketing. A marca Maserati não está claramente posicionada e a narrativa não é como deveria ser. A marca não é apenas sobre carros esportivos, é sobre gran turismo, é sobre qualidade de vida, dolce vita e tecnologia. Nos faltam perspectivas e leads, precisamos alcançar clientes potenciais e entregar a mensagem certa para o posicionamento certo.
Essa declaração sublinha a necessidade de a Maserati comunicar melhor sua essência. A marca precisa ir além do nicho de carros esportivos, abraçando seus valores de ‘gran turismo’, ‘dolce vita’ (a boa vida italiana) e tecnologia, para atrair um público mais amplo e qualificado.
O Caminho para a Retomada
A Stellantis e a equipe de Antonio Filosa, CEO da Maserati, já traçam planos para reverter a situação. A marca trabalhará em estreita colaboração com a Alfa Romeo, codesenvolvendo veículos e fundindo algumas operações para otimizar recursos e sinergias.
O portfólio será renovado com a chegada de um novo Levante, previsto para 2027, e um novo Quattroporte, que pode surgir em 2028. Este último poderá, inclusive, substituir indiretamente o Ghibli. A Maserati precisa de uma mistura desejável de novos SUVs e sedãs para rejuvenescer as vendas, oferecendo produtos competitivos em um segmento concorrido.
Curiosamente, a Maserati está considerando trazer de volta o câmbio manual, um aceno aos puristas e à tradição esportiva. Além disso, o renovado interesse da Stellantis em motores de combustão interna na era pós-Tavares pode atrair mais consumidores às concessionárias, combinando a paixão por veículos com motor a combustão com a eletrificação.
Um novo investimento é crucial para ressuscitar as vendas de uma marca que, dada a sua importância histórica e legado, merece continuar viva e prosperando no mercado de luxo global.
O que sabemos
- As vendas da Maserati caíram 58% em dois anos, totalizando 11.127 unidades em 2025.
- As causas incluem tarifas nos EUA, fraca demanda na China e baixo desempenho do Grecale.
- Sedãs Ghibli e Quattroporte foram descontinuados em 2023; o Levante em 2024.
- A Ferrari parou de fornecer motores V8, e a Maserati adotou o V6 Nettuno de 3.0 litros.
- O projeto do MC20 elétrico foi cancelado.
- Carlos Tavares atribui a queda a um marketing e posicionamento de marca inadequados.
- A Maserati planeja novos Levante (2027) e Quattroporte (2028), além de possível retorno do câmbio manual.
- Haverá colaboração estreita com a Alfa Romeo para codesenvolvimento e fusão de operações.
O que ainda não foi confirmado
- Preço dos futuros veículos.
- Consumo específico dos motores.
- Autonomia dos veículos elétricos planejados.
- Dimensões exatas dos novos modelos.
- Potência e torque detalhados dos motores.
A Maserati está em um ponto de inflexão. Sua história gloriosa e a paixão que evoca são ativos inegáveis, mas o mercado automotivo de luxo exige mais do que tradição. A redefinição de sua mensagem, a renovação de seu portfólio com produtos competitivos e uma estratégia de marketing eficaz serão pilares fundamentais para que a marca do tridente possa, de fato, reconquistar seu lugar de destaque e brilhar novamente com o esplendor da ‘dolce vita’ italiana.
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