Fusca Avallone: Um Conversível Raro Vale o Preço Real?
Ah, o Fusca! Carro do povo, ícone nacional. Mas e se eu te disser que teve uma versão dele, o Conversível Avallone , que era tão exclusiva que faz o Fusca comum parecer uma commodity? Exatamente,...
Ah, o Fusca! Carro do povo, ícone nacional. Mas e se eu te disser que teve uma versão dele, o Conversível Avallone, que era tão exclusiva que faz o Fusca comum parecer uma commodity? Exatamente, estamos falando de uma raridade que, de certa forma, desafiou sua própria origem de carro popular. Carros Importados 1996: 10 Joias Clássicas que Envelheceram Bem? Esse “Fusca conversível” made in Brazil, assinado por Antonio Carlos de Bugelli Avallone, foi um projeto ambicioso e, sem dúvida, um pedaço interessante da nossa história automotiva.
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O Avallone Cabriolet surgiu da mente inquieta do piloto e construtor Antonio Carlos Avallone, um sujeito que não tinha medo de ousar. Afinal, ele já tinha sua reputação consolidada com o Avallone TF, uma réplica do MG TF que fez bonito até em Genebra. Portanto, quando ele decidiu transformar o Fusca em um conversível, não foi por acaso.
A Origem e a Pretensão do Conversível Avallone
A ideia de um Fusca conversível não era nova. Lá na Alemanha, o projeto original de Ferdinand Porsche e Wilhelm Karmann já havia dado frutos em 1949, com mais de 330 mil unidades produzidas até 1980. Aqui no Brasil, com o mercado fechado para importações, surgiu a oportunidade perfeita para a Aciei (empresa de Avallone) preencher essa lacuna. Por isso, o Conversível Avallone prometia um toque de exclusividade.
No entanto, para convencer o público a desembolsar 60% a mais do que um Fusca convencional, a propaganda precisava ser convincente. A Dacon S/A, concessionária de Paulo de Aguiar Goulart, foi a vitrine escolhida para esse projeto audacioso. Era uma aposta alta, convenhamos, mas a qualidade de construção era o trunfo.
Detalhes da Transformação: Engenharia e Requinte

A transformação era um show à parte, feita pela Aciei perto de Interlagos. A parte central da carroceria e as portas eram laminadas em plástico reforçado com fibra de vidro, uma técnica bem à frente do seu tempo para um carro nacional. Já capôs, para-lamas e o painel mantinham as peças originais de aço da Volkswagen, um casamento interessante de materiais.
Para compensar a ausência do teto e garantir a segurança, foram adicionados reforços estruturais. Quatro colunas de aço, fixadas a uma plataforma metálica, eram parafusadas ao chassi original do Fusca, garantindo a rigidez torcional. Dá pra ver que não era gambiarra, era engenharia séria, digna de uma montadora, não de uma pequena oficina.
O capricho não parava por aí. Os vidros, por exemplo, vinham com a gravação do fabricante. As molduras acionáveis rapidamente pelas manivelas, um toque de agilidade que passava a impressão de qualidade. A capota, de curvim com isolamento acústico, completava o pacote, fechando com duas travas no para-brisa. Por outro lado, o vidro traseiro pequeno e o volume da capota dobrada atrás do banco traseiro comprometiam bastante a visibilidade. Uma pena, para um carro tão bem pensado.
Comportamento e Personalização: O Charme do Exclusivo

Curiosamente, o Conversível Avallone ganhava um comportamento mais estável na estrada. O acréscimo de peso pelos reforços estruturais e o centro de gravidade mais baixo melhoravam a dinâmica, mesmo que a agilidade nas arrancadas e acelerações sofresse um pouco. Não era pra ser um carro de corrida, mas um Fusca com outra proposta, convenhamos.

O grande barato do Avallone Cabriolet era a exclusividade. Como não era um carro de série, cada unidade era, de certa forma, única. A Dacon oferecia uma gama de acessórios que permitia ao comprador criar um carro sob medida: faróis auxiliares, rodas de liga leve, pintura metálica e até motores mais potentes. Enfim, era um “Fusca customizado” de fábrica, algo que não se via por aqui com frequência.
Por Que o Sonho Não Virou Realidade Para o Conversível Avallone?
Apesar de tudo, o sucesso esperado para o Conversível Avallone não veio. A meta de 50 unidades mensais ficou só no papel. A demanda era baixa e os custos fixos de uma fábrica pequena eram um peso enorme. Há quem diga, de acordo com informações da Quatro Rodas, que a própria Volkswagen não deu o apoio necessário, o que fez Avallone migrar para o ramo das limusines. Triste, não é?
A forte recessão da época foi um golpe fatal para muitos fabricantes nacionais. A Aciei não foi diferente, encerrando suas atividades em 1988. No entanto, o tempo, esse juiz implacável, transformou o que foi um fracasso comercial em um tesouro. Hoje, as unidades remanescentes do Avallone Cabriolet são disputadíssimas, atingindo valores que o próprio Fusca jamais sonharia em ter. Isso mostra como o tempo pode mudar a percepção de um carro, não é?
Ficha Técnica – Avallone Cabriolet 1980
- Motor: longitudinal, 4 cilindros opostos, 1.285 cm³, 2 válvulas por cilindro, comando de válvulas simples no bloco, alimentação por carburador de corpo simples
- Potência: 46 cv a 4.600 rpm
- Torque: 9,1 kgfm a 2.800 rpm
- Câmbio: manual de 4 marchas, tração traseira
- Dimensões: comprimento, 402,6 cm; largura, 154 cm; altura, 149,7 cm; entre-eixos, 240 cm
- Pneus: 5,90 x 14
- Preço (abril de 1980): Cr$ 290.000 (equivalente a R$ 107.600 hoje, pelo IGP-DI)
Então, depois de conhecer essa história, o Conversível Avallone ainda te parece apenas um Fusca qualquer, ou ele se tornou um ícone de persistência e exclusividade à brasileira?
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