O Ferrari Quatro Cilindros que Ruge Como Cortador de Grama, Mas Vale Milhões
Enquanto V12s de Maranello encantam, um raro motor quatro cilindros dos anos 1950 desafia a tradição com um som peculiar, mas alcança valores estratosféricos em leilões.
Quando pensamos em Ferrari, a imagem de um motor V12 com seu urro melodioso, quase sinfônico, logo vem à mente. É o som que define a paixão e a performance de Maranello para muitos entusiastas. No entanto, a história da Ferrari é muito mais rica e diversificada do que a sonoridade de seus doze cilindros.
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Durante os anos 1950, um período de intensa inovação e competição, a Ferrari ousou explorar outras configurações de motor. Além dos conhecidos V8 e V6 (como o do lendário Dino), a marca italiana também produziu veículos de corrida equipados com motores de quatro cilindros. Entre eles, destaca-se o Ferrari 857 Monza, um exemplar que, embora poderoso, ficou famoso por uma característica sonora bastante inusitada.
O Rugido Inesperado de Maranello
Longe do concerto de um V12, o motor do Ferrari 857 Monza foi descrito, de forma um tanto irreverente, como soando como um cortador de grama. Outros relatos, especificamente sobre o motor Ferrari-Lampredi 3.0 litros em linha-4 do 750 Monza, falam de um som que lembra um vespeiro zangado em altas rotações. Essa peculiaridade era fruto de uma engenharia de corrida focada puramente em desempenho.
Para construir esses motores quatro cilindros de alto desempenho, a Ferrari contratou o engenheiro Aurelio Lampredi nos anos 1950. Lampredi era um mestre na arte de extrair potência máxima de configurações menores. Sua visão resultou em propulsores que, apesar da menor quantidade de cilindros, eram verdadeiras máquinas de corrida.

Engenharia de Competição e o Som Peculiar
O motor em questão, conhecido como Tipo 129, era um quatro cilindros em linha projetado especificamente para as pistas. Era um projeto de alta compressão e rotação rápida, capaz de entregar impressionantes 280 cavalos de potência. Para efeito de comparação, essa era uma potência considerável para a época, equiparando-se a muitos carros esportivos de maior cilindrada.
Tecnicamente, o Tipo 129 era um projeto sofisticado. Ele utilizava um par de carburadores Weber 58 DCOA/3, conhecidos por sua capacidade de fornecer uma mistura ar-combustível precisa e abundante para o motor. Além disso, era um projeto twin-cam (duplo comando de válvulas no cabeçote), o que permitia um controle mais eficiente das válvulas e, consequentemente, melhor desempenho em altas rotações.
Outro detalhe de engenharia vital era o sistema de cárter seco, comum em carros de corrida. Ele garante a lubrificação ideal do motor mesmo sob as forças G extremas em curvas, impedindo que o óleo se desloque e deixe de lubrificar componentes críticos. Contudo, o que mais contribuía para sua sonoridade única era o escapamento.

O escapamento do Ferrari 857 foi projetado para permitir a fuga mais rápida possível dos gases de exaustão. Ele funcionava essencialmente como um tubo reto lateral, sem os silenciadores ou ressonadores que suavizam o som em veículos de rua. Essa configuração maximizava o fluxo de gases, otimizando a potência, mas resultava em uma nota de escape crua e sem filtros, que lembrava sons menos nobres, como o de um cortador de grama. Apesar disso, para os amantes do automobilismo, o som é autêntico e inconfundível. Ouça abaixo um pouco dessa sonoridade peculiar:
Valor Inestimável e Lendas ao Volante
Apesar da trilha sonora que desafia as convenções, os exemplares do Ferrari 857 são hoje itens de colecionador extremamente valiosos. Eles são vendidos por milhões de dólares em leilões, um testemunho da sua raridade, história no automobilismo e da engenharia excepcional que representam.
Um exemplo notável é o Ferrari 857 Sport, um dos apenas quatro exemplares produzidos, que foi vendido por impressionantes US$ 5,35 milhões em um leilão da Gooding Christie’s. Este veículo específico teve uma restauração recente e a honra de ser pilotado por Caroll Shelby, uma lenda do automobilismo mundial, o que adiciona ainda mais ao seu prestígio e valor histórico.

Esses veículos, como o Ferrari 750 Monza, que também utilizava um motor Lampredi de quatro cilindros, são mais do que carros. São peças vivas da história da Ferrari, que narram um período de experimentação e inovação nas pistas. Sua sonoridade única é parte de sua identidade, um lembrete de que a busca pela vitória nem sempre segue o caminho mais óbvio ou o mais melodioso.
O que sabemos
- Alguns modelos antigos da Ferrari, como o 857 Monza, são conhecidos por sua trilha sonora peculiar de quatro cilindros.
- A Ferrari produziu veículos de oito, seis (Dino) e quatro cilindros nos anos 1950.
- O motor do Ferrari 857 Monza foi descrito como soando como um cortador de grama.
- O motor é um quatro cilindros em linha Tipo 129, projetado para corridas.
- Aurelio Lampredi foi contratado nos anos 1950 para construir motores quatro cilindros de alto desempenho para a Ferrari.
- O motor Tipo 129 é de alta compressão e rotação rápida, produzindo 280 cavalos de potência.
- Ele utiliza dois carburadores Weber 58 DCOA/3, é um projeto twin-cam e possui cárter seco.
- O escapamento do Ferrari 857 foi desenhado para rápida fuga dos gases, funcionando como um tubo reto lateral.
- Exemplares do Ferrari 857 são vendidos por milhões de dólares.
- Um Ferrari 857 Sport, um de quatro unidades, foi vendido por US$ 5,35 milhões em leilão da Gooding Christie’s.
- Este Ferrari 857 Sport foi recentemente restaurado e pilotado por Caroll Shelby.
- O motor Ferrari-Lampredi 3.0 litros em linha-4 do 750 Monza, em altas rotações, soa como um vespeiro zangado.
O que ainda não foi confirmado
- Preço do Ferrari 857 Monza (o modelo 857 Sport teve o preço confirmado).
- Consumo do Ferrari 857 Monza.
- Autonomia do Ferrari 857 Monza.
- Dimensões do Ferrari 857 Monza.
- Potência do motor 750 Monza.
- Torque do motor 750 Monza.
- Detalhes técnicos adicionais do motor 750 Monza.
A história da Ferrari é repleta de máquinas icônicas, e o 857 Monza, com seu motor quatro cilindros e som singular, ocupa um lugar especial. Ele nos lembra que a excelência automotiva não se mede apenas pela quantidade de cilindros ou pela harmonia do escape, mas pela paixão, engenharia e a alma de corrida que pulsam sob o capô. Para os colecionadores e historiadores, o valor desses carros transcende a audição, tornando-os verdadeiras joias da engenharia automotiva.
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